terça-feira, 24 de março de 2009

Qualquer coisa













Aprender ou fingir pra não ver,

entender ou não fazer acontecer,

se todos que na lei dos homens,

fizeram diferença,

notavelmente entraram para historia,

se eles aprendessem a entender as pessoas,

se ao invés de fazer,

simplesmente jogassem a culpa em outros,

para que não tivessem o fardo,

ou a responsabilidade de ajudar,

aqueles sem esperança,

que nunca se sentiram amados,

nem pelos cachorros que ali dividem,

os pensamentos na calçada fria,

talvez se eles fossem ouvidos,

para que soubéssemos as suas vontades,

saudades, desejos e sonhos,

para ser desfeita nossa frieza,

quando passarmos,

pelos próximos moradores de rua,

eu, o maior fingido da historia,

que vive a procurar um culpado,

por essas pessoas estarem desse jeito,

eu, fingirei mais um dia,

para que eu possa comer,

e sentir o gosto da minha comida,

sendo que,

a maior parte do mundo,

vive abaixo da linha da pobreza,

e não sabem o gosto de nada,

do que eu sinto falta,

porque algum dia provei do sabor,

gostei e quero de novo,

e eles que esperam pelo gosto,

de qualquer coisa.


quinta-feira, 12 de março de 2009

E Continua Seco.


















Com a lata na cabeça, lá vai Maria,
a terra seca nunca brota flores,
segue o seco na labuta dos dias,
não sente o peso muito menos dores.

O corpo que ao peso da lata resiste,
a lata que somente segura a água,
o sertanejo que teimoso insiste,
a chuva que é tão esperada nada.

Não é pataquada estive lá e vi,
eu me entristeci e por eles reclamei,
pela fé eles não sentem o que senti,
os culpados na minha mente, xinguei.

A pele enrugada, a força está no coração,
vivendo do jeito que dá, com o que se tem,
povo que sobrevive a vida dura do sertão,
o que um comer o outro come também.

Criado em São Paulo não sei se resistiria,
só o sol, terra seca e gente hospitaleira
com muito prazer voltarei algum dia,
talvez esta seja a Bahia verdadeira.