terça-feira, 27 de novembro de 2012

Cores e valores...













Quando garoto,
Em Dias cinzas como hoje
Pintávamos o sete,
Pra que ele não passasse em branco.

Dias cinzas em são Paulo
Lembra-me a infância
Num tempo
onde não tinha tempo ruim

e criança, era pivete
e branco,  era o giz
que demarcava o caminho
riscado na descida com  carrinho de rolimã

e preto, era o asfalto novo
onde garoto periférico
vê tudo que ninguém precisa ver
o vermelho do corpo manchar o piso

o azul, era notável  
em dias de sol
que o amarelo aquecia
mas também cegava
não deixando ver a pipa

hoje, o cinza!
 me faz pensar no dois de novembro
da consciência humana

quando crescemos e aprendemos
que as cores e os valores
nos segregam de tal forma
que o cinza, passa a ser o sinônimo
 de ser bem sucedido,
frio, calculista, imundo e sem cor 

E o que nos resta
 é ver o verde queimado
E vidas passando em branco
Com infâncias sendo roubadas

E mães vestindo preto
 velando minúsculos seres
que fora um dia, sinal de esperança.