quarta-feira, 31 de julho de 2013

De Passagem...














O poeta,
não tem cartão de ponto
nem vale refeição
conta apenas com a dádiva
do estro de inspiração.

ele é nulo
é a favor de tudo,
as vezes é o meio da coluna ,
que em versos tortos
se apruma.

é mais profundo
que o fim do fundo,
onde a luz  quase não ousa habitar
também é lá que o poeta está.

mas sempre com sinal de sol
mesmo em dias cinzas,
onde se parece que o verso é fúnebre
ele trás consigo o lume.

dos calos, das mãos Marias
e Joãos sementes,
ele fecunda a terra
mesmo que em sua mente.

o poeta
vive de flores, amores,
versos e prosas...
e também das dores.

tem dívida profunda
com a existência humana
mas se acerta a sós,
na calmaria desordeira
do silêncio de sua cama.

ser torturado por tudo
que vê com a retina
do coração aberto a todos,
talvez seja a sua sina!

sofrer calado
sendo poeta escravizado
pela algema do impropério,
dum devaneio ilustre
de uma vida que não é sua,
e sim da poesia!

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